sexta-feira, 27 de maio de 2016

Mulheres - Charles Bukowski


O HARÉM PESSOAL DE BUKOWSKI.
“– Hank – disse ela –, fique comigo! Não volte pra ela! Olhe, eu tenho belas pernas! Dee Dee levantou uma perna pra me mostrar. – Eu tenho belas canelas também! Olhe! Me mostrou as canelas. Eu estava sentado na beira da cama. – Não posso ficar com você, Dee Dee... Ela sentou na cama e começou a me esmurrar. Seus punhos eram duros como pedras. Me esmurrava com as duas mãos. Fiquei ali sentado, levando porradas. Me acertou na sobrancelha, no olho, na testa e nas faces. Até na garganta eu levei porrada. – Ah, seu filho da puta! Filho da puta! Filho da puta! Filho da puta! TE ODEIO! Agarrei seus pulsos. – Tá legal, Dee Dee, agora chega. Ela caiu pra trás na cama; eu levantei e saí pelo corredor e porta afora.” (Trecho de Mulheres)
“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhuma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski (1920-1994) e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor. Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski faz poesia com a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.
A grande coleção dos anos 80
A arte, a filosofia e a ciência devem um poderoso tributo a
homens que, com sua insatisfação e rebeldia, forçaram as fronteiras do conhecimento ampliando seus limites à custa da incompreensão e do descrédito. Malditos, rebeldes, loucos, marginais são alguns dos adjetivos com que foram designados por seus contemporâneos alguns dos maiores gênios da história. Banidos da cultura oficial, eles envenenaram as tradições e, com suas criações inusitadas, fizeram do conhecimento humano um vertiginoso palcode transformações. E, aos poucos, o conservadorismo, a intolerância foram cedendo lugar à unanimidade em torno destas figuras, responsáveis por alguns dos momentos mais belos e importantes da experiência humana. Ao reunir numa coleção, sob o título geral de Rebeldes & Malditos, poetas, romancistas, ensaístas, filósofos, teatrólogos, pintores, homens de atividades diversas, em tempos diversos, a L&PM EDITORES apresenta um painel vigoroso e sem preconceitos, no qual a única constante é o desafiador apelo do gênio, cuja mensagem, por uma razão ou outra, ameaçou as normas e os padrões estabelecidos. (Apresentação da Coleção Rebeldes & Malditos, 1980)

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